Nasceu por volta de 1595, provavelmente em São Paulo.
Foi o segundo dentre os doze filhos do português Antonio Raposo, o Velho, e da brasileira Isabel de Góes, a Filha.

Vistos estes autos petição do justificante o Coronel [João Ra]poso Bocarro provas dadas, mostra se que o justificante he nal desta Villa de S. Paulo, filho legitimo de JOÃO RAPOZO BOCARRO e de sua molher Donna ANNA MARIA DE SIQUEIRA, todos naturais desta Villa, neto por parte paterna de Antonio Rapozo, nal da Cidade de Beija, e de sua molher Izabel de Gois, nal desta Va de São Paulo, e neto por parte materna de Francisco de Siqueira, natural de Viana de Caminha, e de sua molher Anna Pires, nal desta dta Villa de São Paulo.
Processo de Habilitação do filho João, em que aparece os nomes dos pais de João Raposo Bocarro
Casou-se com Anna Maria de Siqueira (Medeiros), filha do português Francisco de Siqueira e da brasileira Anna Pires de Medeiros.
João foi bandeirante e, em 1628, participou da bandeira de Antonio Raposo Tavares ao Guairá.
Em 1637, partiu para o Rio Grande do sul na expedição de Francisco Bueno.
Em 1638, "João requereu ao Capitão Antonio de Aguiar Barriga a concessão de uma data de sesmaria em terras situadas no sertão de Guarulhos para si e seus filhos João Raposo, o moço, Anna de Góes, Maria Raposo, Mécia de Góes e Isabel de Góes, alegando que ajudou sempre, nas ocasiões que se ofereceram, o aumento e engrandecimento da nação, e que era capitão de uma companhia de ordenanças, sustentada a sua custa, havia já 9 anos; atentas as suas alegações foi a ele concedida a sesmaria requerida".

Assinatura do Coronel João raposo Bocarro (1661)
João faleceu entre 1661 e 1684.
Foi pai de um filho e quatro filhas:
1.1. João Raposo Bocarro, o Moço, casado com Marianna Vaz Ferreira, filha do português Estácio Ferreira e da brasileira Violante Jorge.
João foi bandeirante e, em 1663, participou da expedição de seu primo Mathias de Mendonça em busca de esmeraldas no sertão de Sabarabuçu.
Em 1680, já era coronel de um terço de ordenanças em São Paulo.
Em 1685, o Governador-Geral Antonio Luís de Sousa o encarregou da questão da aldeia de índios do real padroado de Barueri.
Em 1689, foi para a Bahia na expedição paulista de socorro, enviada para "combater o gentio bravio".
Em Julho de 1691, além do combate aos índios, João estava encarregado do "descobrimento das minas de ouro, prata, pedraria e pérolas que há nas serras e lagoas do Rio Grande do Norte, Ceará e confins do Maranhão". Em 1692, o Governador do Maranhão Antonio de Albuquerque queixou-se ao rei de Portugal dos "avanços paulistas" comandados por João Raposo Bocarro. João permaneceu no norte pelo menos até 1693.
Em 1707, João estava "povoando um sítio no distrito das minas do Rio das Velhas, que denominou Iguapaúma". Ali pediu terras de sesmaria, pois "tinha bastantes escravos para lavrar e beneficiar com roças o dito sítio, redundando em aumento da fazenda real pelos dízimos e cultivação dele, e outrossim tinha o suplicante gasto grande parte de sua vida no serviço de Sua Majestade em várias conquistas". Em 1711, João recebeu a sesmaria solicitada.
1.2. Anna de Góes casada com Antonio de Almeida. Sem filhos.
1.3. Maria Raposo de Siqueira, casada com o português Capitão-mor Antonio Raposo da Silveira, nascido em Lisboa. Antonio faleceu em 1663, e Maria faleceu em 1709, ambos em São Paulo, SP.
1.4. Mécia Raposo de Siqueira, casada com João do Prado da Cunha, filho de João Gago da Cunha e de Catharina do Prado. João faleceu em 1695.
1.5. Isabel Góes de Siqueira, casada em 19 de Fevereiro de 1651, em São Paulo, SP, com João Sobrinho, filho do Capitão Francisco Cubas e de Maria Antunes.